Com 15 mil itens, Museu do Computador busca parceiros para reabrir em SP.

A tecnologia evolui muito rápido e os gadgets ultrapassados são sumariamente substituídos – e muitas vezes esquecidos. Há tanto itens antigos nessa área que, para guardar essa história, seria preciso desenvolver um local especializado. Justamente para isso surgiu o Museu do Computador, que hoje conta com 15 mil itens em seu acervo, mas permanece fechado há 9 anos em São Paulo por falta de apoio financeiro.

A iniciativa partiu de José Carlos Valle, 67, que trabalhou durante 50 anos com tecnologia da informação. “Depois de atuar tanto tempo com esses produtos, percebi que era preciso guardar a história da tecnologia, pois esse ramo evolui muito rápido e o que foi deixado para trás se perde”, contou.

Foram 16 anos acumulando peças, doadas por empresas e usuários comuns. Entre os itens mais raros da coleção estão o primeiro computador da fabricante IBM, além do Apple II (um dos primeiros produtos desenvolvidos pela Apple) e máquinas que foram utilizadas nas décadas de 1930 e 1940 pela prefeitura de São Paulo, entre outros. Algumas peçam chegam a ter dois metros de altura e pesam mais de 10 toneladas.

Todo esse trabalho foi exposto durante cinco anos no bairro de Interlagos em São Paulo. Em 2005, no entanto, o museu precisou ser fechado por falta de apoio financeiro. O acervo agora está em um galpão de Itapecerica da Serra (SP), que é mantido com ajuda de pequenas empresas e sindicatos, mas não recebe visitas. Foi preciso um espaço com cerca de 1.500 m² para armazenar tudo.

O próximo passo é encontrar novos apoiadores e reinaugurar o museu, mas não está fácil, segundo Valle. “Estamos procurando instituições, órgãos públicos e empresas para firmar parcerias e criar uma nova exposição, mas é difícil. Parece que os brasileiros não se interessam pelo passado. Há um buraco de 60 anos na história da tecnologia no Brasil, e ninguém se preocupa”, disse.

A paixão pelas raridades tecnológicas cresceu tanto que Valle hoje se distanciou de sua profissão de origem. Ele se dedica exclusivamente ao espaço, atuando como curador. Seu filho, inclusive, cuida do site e outras plataformas virtuais do museu.

Via Flávio Carneiro, UOL, em São Paulo

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