IBM, com Scopus, prioriza serviços e acordo com a Apple no Brasil.

Apesar de a empresa ter ido além da meta no País, o presidente da IBM Brasil, Rodrigo Kede, classificou 2014 como um ano ‘difícil’ e coloca 2015 com o mesmo grau de incerteza.

Big data e analytics seguem sendo uma grande aposta da companhia. E ao falar sobre computação em nuvem, o executivo foi taxativo: cloud não é uma revolução tecnológica, mas, sim, uma guinada econômica, que abre frente para a conquista de cerca de oito milhões de pequenas e médias empresas no Brasil.

Em encontro com jornalistas nesta terça-feira, 02/12, em São Paulo, o presidente da IBM Brasil detalhou a importância do acordo recém-firmado com a Apple para a incorporação de serviços e suporte e aplicações. “A venda de dispositivos poderá acontecer, mas não é o relevante. Temos um banco para financiar se for necessário o hardware. O que nos atrai é o mundo de aplicações que está se abrindo para a IBM. A demanda dos clientes quando eles souberam do negócio nos surpreendeu. Eles nos procuraram querendo manutenção, querendo aplicações para o iPhone e para o iPad”, disse Kede.

Nessa estratégia se insere a Scopus, empresa de serviços do Bradesco, comprada em julho – os valores não foram revelados – e que teve a aprovação formal dos órgãos reguladores do país no mês passado. “Eles têm presença em 5500 municípios do Brasil. Vamos oferecer manutenção e suporte para empresas em todo o país, além é, claro, de termos espaço para mostrar aplicações de negócios. É uma frente de oportunidades relevante para desenvolvermos aplicativos, soluções”, adianta Kede.

Expectativa da IBM é começar a integrar os negócios ainda em dezembro. Os suportes de outros fabricantes não serão encerrados. “Nada vai mudar. Mas a Scopus vai virar IBM.

Acredito que, em um ano, esse processo finalize”. A operação Scopus Serviços contava, à época da aquisição, com 2400 funcionários e detinha uma carteira de 100 clientes, entre redes de varejo e operadoras de telecomunicações. Indagado sobre a possibilidade de replicar a operação no mundo Android, Kede disse que a IBM está preparada, mas que não é o alvo principal. “Vamos centrar nossos esforços na Apple. Acreditamos nessa combinação no mercado corporativo”, adiantou.

Ser reconhecida como uma empresa de Serviços tem sido o desafio da IBM nos últimos anos. “O hardware nos dá suporte para termos essa estratégia”, frisou Kede. E o big data tem dado essa possibilidade. “Já fomos colocadas como uma empresa de big data. Isso é serviço”, acrescentou. Aqui no Brasil, diz o executivo, os negócios de big data estão crescendo, principalmente, no varejo e nos bancos. Uma rede de farmácias do Nordeste, a Pague Menos, com uma receita de R$ 4 bilhões, está usando a análise dos dados da IBM para impulsionar seus negócios. “O big data tem a sua complexidade e estou sendo desafiado como fornecedor a mostrar o retorno do investimento”, ressaltou Kede.

Se em big data, a IBM demarcou o seu território, em computação na nuvem, admite o executivo, o momento ainda é o de correr atrás do mercado. Segundo Kede, a IBM não entrou em guerra de preços por conta da Infraestrutura como Serviço. “E há uma batalha.

Não vou vender cloud por cloud. Temos aplicações e serviços, mas reconheço que precisamos da nuvem pública e fizemos um bom esforço nos últimos seis meses para ganhar mais clientes nessa área”.

Watson e 2015

A computação cognitiva é uma grande aposta da IBM com o Watson. No Brasil, o Bradesco já é um dos usuários e a empresa abriu um Centro de Competência para localizar o modelo. Instalado em São Paulo, a unidade reúne especialistas de todo mundo.

“Não se trata de traduzir o Watson. Temos que adatpar à realidade do país. Para isso estamos com um piloto com cinco empresas de diferentes verticais para trabalhar. Precisamos converter o Watson e isso será feito ao longo de 2015”.

O cenário macroeconômico do país preocupa à IBM Brasil. Mesmo se mostrando otimista, Rodrigo Kede admite que muitos setores, entre eles, o da indústria, sentem o reflexo da inflação, dos juros altos, dos custos Brasil, entre eles, o da energia.

“Muitos pararam e estão prevendo um primeiro semestre duro. Para nós, de TI, é uma oportunidade. Quem precisa se diferenciar, precisa investir em TI. Mas é um momento de ajuste. De aperto. 2015 será um ano ainda de muita complexidade, como foi 2014”, diz o presidente da IBM Brasil.

Mas para a empresa – dentro das metas estabelecidas pela companhia, os últimos três anos foram classificados como ‘muito bons’. “A IBM Brasil é citada nos últimos oito trimestres no balanço financeiro da companhia. Vamos manter esse ritmo no ano que vem”, completou o executivo.

Via Convergência Digital

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